No Brasil, ele já pode ganhar em média cerca de R$ 80 mil por mês – e isso está levando empresas a repensarem estratégia e governança.
Problema 🤔
Definir a remuneração justa de conselhos de administração sempre foi um dilema. Pagava-se pouco, correndo o risco de não atrair talentos, ou se pagava muito e vinham críticas de acionistas. Por muito tempo, faltou transparência e critério claro – o tema era quase um “clube do cafezinho”. Como resultado, muitas empresas não tinham políticas formais e a ligação entre pagamento e desempenho era frágil. Exemplo: um ex-conselheiro da Petrobras relembra que o board da estatal ocupava “70% do meu tempo – e 5% do meu salário”, ilustrando o descompasso histórico entre trabalho e remuneração em alguns casos. O problema estava posto: como profissionalizar a remuneração dos conselhos, alinhando incentivos sem perder de vista a responsabilidade com acionistas?
Jornada 🚀
Nos últimos anos, iniciou-se uma jornada de profissionalização e transparência. Estudos recentes trazem dados reveladores. A 9ª pesquisa do IBGC (2024) mostrou que a remuneração anual média de um conselheiro de empresa aberta cresceu 28,5% de 2020 a 2022, acompanhando o aumento de porte das companhias. Em empresas menores (faturamento até R$ 500 milhões, segmento Básico da B3), registram-se os menores pagamentos aos conselheiros. Já em empresas grandes, os valores sobem drasticamente: um levantamento de 2025 com 133 conselheiros divulgado na Forbes indicou que 80% ganham entre R$ 15 mil e R$ 30 mil mensais, mas nas companhias de maior porte (> R$ 2 bilhões) já existe uma parcela de 8,7% dos conselheiros ganhando acima de R$ 50 mil por mês. Ou seja, quanto maior a empresa, maior o cheque do conselheiro.
Também há diferenças por setor. Em empresas de setores altamente regulamentados ou de controle familiar (como bancos e varejo), às vezes o presidente do conselho é quem concentra a maior fatia da remuneração anual.
Paralelamente, como os conselheiros são pagos começou a mudar. Tradicionalmente, o modelo brasileiro sempre foi conservador:
- 70,7% das empresas não vinculam a remuneração dos conselheiros a desempenho;
- em 75,2% dos casos prevalece somente remuneração fixa;
- apenas 15% incluem algum componente variável;
- só 3,8% atrelam parte do pagamento a resultados da companhia (ICP não é comum para conselheiros.
Essa cultura está evoluindo aos poucos. Hoje, cerca de 25% dos conselhos já recebem parte da remuneração em ações (stock awards ou units), ante 21% no ano anterior – sinal de que incentivos de longo prazo ganham espaço. A maioria das empresas ainda adota apenas o pagamento fixo mensal (em 79,9% dos casos, segundo o IBGC), porém já vemos 1 em cada 4 empresas complementando com ações ou opções. Remuneração variável vinculada a metas de desempenho ainda é minoria (cerca de 18% das companhias usam, embora em alta frente a 16% no ano anterior). Além disso, a formalização aumentou: mais empresas têm políticas de remuneração aprovadas pelo conselho, seguindo códigos de governança. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a exigir desde 2009 que as companhias divulguem a remuneração mínima, média e máxima de seus administradores, e apesar de ainda haver falhas no preenchimento desses dados, a transparência vem crescendo. Esse movimento – somado à pressão de investidores por boas práticas – forçou uma jornada de maior alinhamento entre pagamento, estratégia e performance.

Resultado 🎯
Chegamos a um cenário em que ser conselheiro de administração virou quase um “cargo dos sonhos” para executivos experientes. A remuneração média anual já ultrapassa R$ 700 mil (cerca de R$ 59 mil/mês em 2022, chegando a ~R$ 967 mil/ano em 2023, aproximadamente R$ 80,6 mil/mês). Cadeiras em boards de gigantes como Vale e Petrobras são disputadíssimas. Na Vale, cada conselheiro recebeu em média R$ 1,34 milhão anual (dados de 2023). Ao mesmo tempo, espera-se mais dos conselhos. Hoje o presidente do conselho (chairman) recebe cerca de 3 a 4 vezes o valor de um conselheiro, refletindo responsabilidades ampliadas na liderança do board. Por exemplo, em média o chair ganha ~R$ 196 mil/mês vs R$ 62 mil/mês dos demais membros nas grandes empresas. Isso se justifica? As empresas argumentam que sim: conselhos mais bem pagos trazem dedicação maior, experiência estratégica e, idealmente, melhores resultados a longo prazo. A remuneração vem gradativamente se alinhando à estratégia e à boa governança – com políticas mais claras, divulgação transparente e incentivos de longo prazo quando faz sentido. Em síntese, pagar bem o conselho deixou de ser “perfumaria” e passou a ser visto como investimento para proteger e guiar a empresa. Mas o equilíbrio é delicado: remuneração deve atrair e reter conselheiros qualificados sem desconectar seus interesses dos dos acionistas. A busca agora é por alignment: pagar de forma justa, com parcela em ações atreladas ao mandato, garantindo que os conselheiros estejam tão comprometidos com o sucesso da empresa quanto os donos.
E você, acredita que a remuneração dos conselhos de administração no Brasil está na medida certa – ou ainda precisa evoluir para equilibrar incentivo e responsabilidade? 📣💭
Dados e análises extraídos de levantamentos recentes do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (Pesquisa de Remuneração de Administradores, 2024), do Brasil Board Index 2024 – Spencer Stuart, reportagens da Forbes Brasil (2025) e Valor Econômico (2024), além de informações públicas divulgadas pela CVM e pelos Formulários de Referência da B3 referentes às companhias Vale, Petrobras e Bradesco.





